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Política

Soraya Thronicke relata ameaça de Bolsonaro sobre filho trans em 2022

Senadora afirmou que campanha do ex-presidente planejava expor publicamente a transição de gênero de seu filho durante a disputa eleitoral.

Por 3 min de leitura

Soraya Thronicke relata ameaça de Bolsonaro sobre filho trans em 2022
Soraya Thronicke relata ameaça de Bolsonaro sobre filho trans em 2022

A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) revelou, em entrevista ao podcast Três Irmãos no último domingo (18), que foi alvo de ameaças durante a campanha presidencial de 2022. Segundo a parlamentar, o então candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), teria planejado divulgar imagens e informações pessoais sobre a transição de gênero de seu filho, que é um homem trans, como uma estratégia de ataque político.

De acordo com o relato de Thronicke, o alerta sobre a possível exposição partiu de integrantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. A senadora afirmou que a equipe do petista a teria informado sobre um jantar em que aliados de Bolsonaro teriam manifestado a intenção de vazar fotografias de antes e depois da transição de seu filho para a imprensa, visando atingi-la durante o primeiro turno da corrida ao Palácio do Planalto.

A parlamentar descreveu o episódio como um momento de profunda desestabilização emocional. Ela relatou ter sofrido crises de pânico diante da possibilidade de que a vida privada de seu filho fosse utilizada como munição política. Como medida de proteção, Thronicke decidiu afastar o jovem do convívio público, transferindo-o temporariamente para o interior durante os 45 dias mais intensos da campanha eleitoral.

Apesar da tensão, a ameaça não foi concretizada. Soraya afirmou que, após superar o impacto inicial, enviou um recado direto a Bolsonaro desafiando-o a seguir com o plano, classificando a postura do ex-presidente como covarde. A senadora destacou que, embora o filho tenha demonstrado tranquilidade e oferecido apoio à mãe, o episódio foi determinante para o rompimento definitivo de sua relação política com o antigo aliado.

O caso traz à tona debates sobre o uso de estratégias de intimidação e o impacto do pânico moral no cenário eleitoral brasileiro. A senadora, que na época era filiada ao União Brasil, ressaltou que a exposição de questões familiares como ferramenta de disputa política ultrapassa limites éticos. Ela enfatizou que a desproporção entre o poder de quem detém um mandato e a vulnerabilidade de famílias comuns, que não possuem os mesmos recursos de proteção, é um ponto de preocupação central.

O episódio de 2022 marcou uma mudança significativa na trajetória política de Soraya Thronicke. Após o rompimento com o bolsonarismo, a parlamentar manteve neutralidade no segundo turno daquelas eleições e, posteriormente, passou a apoiar o governo Lula. O relato inédito, feito anos após o pleito, reforça o clima de acirramento que marcou a disputa presidencial daquele período.

Fontes consultadas

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