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Política

STF debate julgamento da Lei da Dosimetria para definir pena de Bolsonaro

Ministros do Supremo avaliam pautar a norma que pode reduzir o tempo de prisão em regime fechado do ex-presidente.

Por 3 min de leitura

STF debate julgamento da Lei da Dosimetria para definir pena de Bolsonaro
STF debate julgamento da Lei da Dosimetria para definir pena de Bolsonaro

Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) articulam a possibilidade de pautar ainda para este ano a análise da constitucionalidade da Lei da Dosimetria, uma medida que pode resultar na redução do tempo de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Condenado no ano passado a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado e participação em tramas golpistas após as eleições de 2022, o ex-mandatário poderá ter sua pena em regime fechado significativamente encurtada caso a norma seja validada pela Corte.

A tramitação do processo depende do relator, o ministro Alexandre de Moraes, responsável por suspender a aplicação da lei em maio após questionamentos de partidos políticos sobre ilegalidades na formulação do texto. Ministros avaliam que, caso Moraes libere o caso para análise, o presidente do tribunal, Edson Fachin, não colocará óbices para a inclusão do tema na pauta do plenário antes do recesso de dezembro.

A Lei da Dosimetria, identificada como Lei 15.402/2026, foi aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025. O texto sofreu veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas os parlamentares posteriormente derrubaram a decisão presidencial. Em junho, a Procuradoria-Geral da República (PGR), por meio do procurador-geral Paulo Gonet, manifestou-se contra a manutenção da suspensão provisória, argumentando que as críticas sobre um suposto desvio de finalidade não justificavam a paralisação imediata da norma.

Especialistas jurídicos e cálculos preliminares apontam que, se a legislação for considerada constitucional e aplicada ao caso, o período de cumprimento da pena em regime fechado de Bolsonaro poderia cair de sete anos para aproximadamente dois anos e três meses. Como o ex-presidente já cumpriu quase um ano nessa condição, projeções indicam que ele poderia deixar o regime fechado no final de 2027.

Nos bastidores do STF, parte dos magistrados defende que a discussão sobre a dosimetria é um caminho institucional mais viável do que a revisão criminal apresentada pela defesa, alternativa que conta com baixas probabilidades de prosperar por falta de maioria disposta a anular a condenação. Os ministros ressaltam que o julgamento da norma não garante um veredito favorável a Bolsonaro, mas servirá para estabelecer se as mudanças promovidas pelo Congresso respeitam a Constituição.

Outro fator que movimenta a avaliação no tribunal é a relação com o Poder Legislativo. Parlamentares e integrantes da Corte ponderam que uma decisão definitiva pode arrefecer as tensões políticas, sobretudo diante da nova composição do Senado que assumirá no próximo ano, a qual contará com dezenas de parlamentares alinhados à oposição e defensores de medidas contra ministros do Supremo.

Além disso, magistrados avaliam que a definição sobre o cálculo das penas pode enfraquecer propostas de anistia em discussão no Congresso. O STF já firmou entendimento prévio de que crimes contra o Estado Democrático de Direito não são passíveis de perdão por anistia, tornando a via da dosimetria uma alternativa para modular a execução das penas sem extinguir as condenações impostas aos réus dos atos golpistas.

Fontes consultadas

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