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SPU investiga transferência de mansão em Angra disputada por Richarlison e advogado

Órgão apura celeridade em processo de imóvel que também foi bloqueado pelo STF em inquérito sobre lavagem de dinheiro.

Por 3 min de leitura

SPU investiga transferência de mansão em Angra disputada por Richarlison e advogado
SPU investiga transferência de mansão em Angra disputada por Richarlison e advogado

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU) instaurou uma apuração para investigar a transferência dos direitos de ocupação de uma mansão situada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. O imóvel é alvo de uma disputa judicial entre o atacante Richarlison e o advogado Willer Tomaz, cuja empresa, a WT Administração de Imóveis e Bens, consta atualmente como detentora dos direitos sobre o bem.

A atenção da SPU recai sobre o procedimento realizado em julho de 2022, marcado por uma tramitação considerada atípica. De acordo com documentos analisados pela atual gestão do órgão, o pedido de transferência foi protocolado às 11h33 do dia 11 de julho e autorizado em menos de duas horas. A celeridade foi justificada pela empresa solicitante com a alegação de uma suposta falha no sistema eletrônico, o que levou à emissão manual da Certidão de Autorização para Transferência (CAT).

A secretaria também identificou que a autorização estava respaldada em uma decisão judicial que não foi integralmente anexada ao processo administrativo. Diante das irregularidades apontadas, a SPU encaminhou o caso para análise da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal. Além disso, o Ibama foi acionado para investigar possíveis crimes ambientais na região, após representação feita pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG).

O jogador Richarlison afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição da propriedade em 2020, em parceria com empresários, alegando que a compra foi feita junto a antigos ocupantes que residiam no local há décadas. O atleta sustenta que sua empresa, a Sport 70, buscou a regularização do imóvel junto à SPU em setembro de 2021, mas não obteve resposta, e acusa Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL) de terem articulado a perda da posse após ele se recusar a vender o imóvel ao parlamentar.

Por outro lado, o advogado Willer Tomaz nega as irregularidades. Ele argumenta que os antigos moradores não possuíam a propriedade legal do imóvel e que adquiriu os direitos de uma empresa que já detinha o registro reconhecido pela União. A transferência para a WT Administração de Imóveis e Bens foi consolidada em julho de 2022, após o trâmite questionado pela atual gestão da SPU.

Paralelamente à esfera administrativa, o imóvel tornou-se alvo de uma decisão judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 26 de outubro, o magistrado determinou a indisponibilidade da mansão na Central Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB), no âmbito de um inquérito que investiga Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas on-line.

As investigações contra o advogado apontam movimentações financeiras vultosas, incluindo a cifra de R$ 5 bilhões em uma única plataforma de apostas durante o ano de 2025. Como desdobramento do inquérito, Moraes também autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de Tomaz, além de ordenar o cancelamento de seu passaporte.

Fontes consultadas

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