Advogado investigado possui cinco casas em Angra além de imóvel disputado com Richarlison
Investigação aponta patrimônio imobiliário de Willer Tomaz na Costa Verde fluminense enquanto o atacante da Seleção Brasileira trava batalha judicial por mansão.
O advogado Willer Tomaz, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal ao lado do senador Flávio Bolsonaro por suspeitas de lavagem de dinheiro, possui outras cinco casas em ilhas de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, além do imóvel de luxo que é alvo de disputa judicial com o atacante Richarlison. A maior parte das propriedades foi adquirida entre 2021 e 2022, período que coincide com a apresentação de propostas legislativas pelo senador para ampliar a exploração econômica da Costa Verde e com sua atuação na relatoria da chamada PEC das Praias.
O levantamento sobre os bens foi realizado com base em registros de cartório e documentos da Secretaria do Patrimônio da União. Entre as propriedades associadas à WT Administração de Imóveis e Bens, empresa de Tomaz, destacam-se três imóveis comprados em setembro de 2021 na Ilha Comprida, cujos terrenos somam cerca de 390 mil metros quadrados e valores patrimoniais de milhões de reais. Outro destaque é a propriedade na Ilha do José André, adquirida em 2008 por R$ 23,7 milhões, além de uma participação de 25% em uma casa na Ilha do Jorge, comprada em 2022.
O caso ganhou ampla repercussão devido à disputa envolvendo a mansão na Ilha Comprida. Richarlison afirma ocupar o local desde 2020, após investir aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade, e acusa o advogado e pessoas ligadas a ele de ocupação irregular. Documentos indicam que o processo de regularização da ocupação favorável à empresa de Tomaz avançou rapidamente na SPU em 2022, ao passo que o pedido apresentado pelo atleta permaneceu sem andamento.
O nome de Flávio Bolsonaro também entrou no centro da controvérsia após o jogador relatar que o parlamentar demonstrou interesse em adquirir a mansão antes de fechar a compra. Registros da Polícia Federal apontam que o senador esteve na propriedade e utilizou o local, inclusive para capturar imagens com drones. Tanto Willer Tomaz quanto Flávio Bolsonaro negam manter negócios conjuntos, embora confirmem amizade.
Paralelamente, o Poder Judiciário emitiu decisões recentes sobre o conflito. A Justiça do Distrito Federal rejeitou um pedido de liminar apresentado por Willer Tomaz e sua empresa, que exigiam a remoção de publicações feitas por Richarlison nas redes sociais e o pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 200 mil. O magistrado responsável pelo caso entendeu que proibir novas manifestações do atleta representaria censura prévia.
As iniciativas legislativas ligadas a Flávio Bolsonaro também geraram debates na região. Em outubro de 2021, o senador propôs a criação de uma região administrativa integrada abrangendo Angra dos Reis, Mangaratiba e Paraty, permitindo a municipalização de unidades de conservação. Posteriormente, assumiu a relatoria da PEC das Praias, medida contestada pela SPU em 2024 sob o argumento de que poderia facilitar a grilagem e a concentração costeira.
Outro desdobramento ocorreu em março de 2026, quando um decreto estadual revogou planos de manejo ambiental, coincidindo com um pedido de Tomaz para ampliar a ocupação da Ilha do José André com a finalidade de construir um resort de luxo. A norma acabou derrubada posteriormente, e o governo estadual negou qualquer articulação prévia com o advogado sobre a decisão técnica.