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Política

Justiça nega pedido para Richarlison apagar posts sobre ilha em Angra

Magistrado apontou risco de censura prévia e destacou ausência de conteúdos ativos que justificassem a remoção imediata solicitada por empresa ligada a advogado.

Por 3 min de leitura

Justiça nega pedido para Richarlison apagar posts sobre ilha em Angra
Justiça nega pedido para Richarlison apagar posts sobre ilha em Angra

O atacante Richarlison obteve uma vitória judicial em processo movido pela WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa do advogado Willer Tomaz, associado ao senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi proferida pelo juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília, que rejeitou o pedido de remoção de postagens e a proibição de novas manifestações do atleta sobre a disputa de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

A ação judicial teve início após o jogador publicar conteúdos afirmando que o imóvel lhe havia sido tomado. Os autores exigiam a exclusão das publicações, a abstenção de novos pronunciamentos sob pena de multa, além de um pedido de indenização de R$ 200 mil por danos morais e uma retratação pública nas redes sociais do atleta do Tottenham.

Ao analisar o caso, o magistrado constatou que parte das postagens questionadas havia sido publicada nos stories do Instagram, formato que expira automaticamente em 24 horas, enquanto outro conteúdo já havia sido apagado pela responsável pela página original. Diante disso, o juiz entendeu que não havia publicações ativas que justificassem a ordem de retirada.

Sobre o pedido para impedir futuras manifestações de Richarlison, o juiz avaliou que a medida se aproximava perigosamente da censura prévia, prática vedada pela Constituição Federal. Contudo, a decisão ressalta que eventuais excessos cometidos na internet poderão ser avaliados posteriormente pela Justiça, e a cobrança por danos morais continuará tramitando no processo.

A disputa imobiliária gira em torno de investimentos que somam cerca de R$ 10 milhões, realizados pelo jogador em parceria com antigos sócios e seu ex-empresário para adquirir os direitos de ocupação da mansão. Richarlison alega que a propriedade foi tomada por meio de manobras judiciais e administrativas, acusando Willer Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro de envolvimento no caso, e chegou a solicitar uma investigação da Polícia Federal sobre a regularização da área.

Por outro lado, Willer Tomaz defende que sua empresa adquiriu os direitos de ocupação da propriedade de forma regular, apresentando documentação que comprova a posse legal. Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça manteve o entendimento favorável à empresa do advogado, após a desistência de recursos por parte da empresa ligada ao antigo staff do atleta. O senador Flávio Bolsonaro nega qualquer envolvimento irregular na transação e sustenta que seu nome foi inserido na controvérsia após uma visita ao local.

Enquanto o processo principal segue em andamento na Justiça com a citação formal do jogador, o caso também gerou repercussão paralela e trocas de declarações públicas entre atletas do futebol e do surfe nas redes sociais, ampliando a visibilidade da disputa em torno do patrimônio localizado no litoral fluminense.

Fontes consultadas

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