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Política

STF antecipa tensões com o Senado e articula medidas sobre caso Master

Corte busca distensionar relação com o novo Congresso e planeja investigações internas antes da posse dos parlamentares em 2027.

Por 3 min de leitura

STF antecipa tensões com o Senado e articula medidas sobre caso Master
STF antecipa tensões com o Senado e articula medidas sobre caso Master

O Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que enfrentará dois meses de forte tensão institucional em torno do caso Master e das negociações com o Senado, cuja nova composição tomará posse em janeiro de 2027. Mesmo com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial, ministros da Suprema Corte identificam a permanência de riscos políticos, mantendo no radar iniciativas legislativas voltadas a pedidos de impeachment e reformas no Judiciário.

Para tentar conter o avanço de conflitos antes da transição no Congresso, o presidente do STF, Edson Fachin, planeja retomar ainda neste ano a análise sobre a abertura de investigações envolvendo integrantes da Corte citados nas apurações ligadas ao Banco Master. A expectativa é de que a Polícia Federal entregue um relatório detalhado contendo menções a seis ministros do tribunal, material que deverá ser centralizado e remetido à Procuradoria-Geral da República.

As apurações sobre o caso Master ganharam forte repercussão após revelações indicarem conversas e contratos no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira liquidada pelo Banco Central. O material aponta acertos financeiros com familiares e pessoas próximas de ministros como Alexandre de Moraes, Nunes Marques e Dias Toffoli, além de registrar encontros com Gilmar Mendes e André Mendonça, e contatos com o filho de Luiz Fux.

Em paralelo, a Procuradoria-Geral da República manifestou-se pela manutenção das prisões preventivas de investigados ligados ao esquema, incluindo o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro; o operador financeiro Fabiano Campos Zettel; o primo Felipe Cançado Vorcaro; e o assessor jurídico Daniel Monteiro. A PGR reforçou que os fundamentos para as medidas cautelares permanecem inalterados.

No âmbito legislativo, a Advocacia do Senado enviou manifestação ao STF para responder a um mandado de segurança que tentava obrigar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a relação de ministros com o banqueiro. O órgão argumentou que não houve omissão da presidência da Casa e defendeu que a abertura de CPIs exige a análise rigorosa dos requisitos constitucionais e regimentais.

Enquanto isso, articulações políticas nos bastidores movimentam a disputa pela presidência do Senado, onde o senador Rogério Marinho atua como opositor de Davi Alcolumbre. Marinho criticou publicamente decisões recentes da mesa diretora da Casa, intensificando o debate político entre parlamentares e o Poder Judiciário.

A estratégia da cúpula do Supremo para o período inclui ainda discussões internas sobre propostas para limitar penduricalhos na magistratura e conter supersalários no serviço público. A expectativa dos ministros é de que respostas céleres aos problemas internos e o avanço nas investigações ajudem a arrefecer a pressão por mudanças estruturais conduzidas pelo Parlamento a partir do próximo ano.

Fontes consultadas

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