Taxas do Tesouro Direto disparam e títulos sofrem forte queda
Negociações foram temporariamente suspensas e governo realizou leilão extraordinário de recompra após forte volatilidade no mercado.
As taxas dos títulos públicos oferecidos pelo Tesouro Direto registraram forte alta nesta segunda-feira, com os prefixados chegando perto de 16% e os papéis indexados ao IPCA ultrapassando a marca de 8%. O movimento ocorreu no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gerando volatilidade e fortes oscilações nos preços dos ativos de renda fixa.
A plataforma de negociação do Tesouro Direto permaneceu fechada durante parte da manhã devido à alta volatilidade no mercado de juros futuros, retomando os negócios no período da tarde. As suspensões ocorrem quando há mudanças rápidas nas taxas, funcionando de forma semelhante a um mecanismo de proteção para evitar que os investidores comprem ativos com preços desatualizados, conforme explicou Eduardo Marocke, especialista em renda fixa.
Na marcação a mercado, a alta nos rendimentos provoca a queda no preço dos títulos já emitidos. Investidores que decidiram vender seus papéis antes do prazo de vencimento registraram perdas significativas, que variaram entre 9% e mais de 12% em alguns vencimentos de prefixados e indexados à inflação. Especialistas ressaltam, contudo, que a perda só se concretiza em caso de venda antecipada, pois quem carregar o título até o vencimento receberá a rentabilidade contratada.
Para conter a pressão sobre os preços e oferecer liquidez ao mercado, o Tesouro Nacional realizou um leilão extraordinário de recompra de títulos prefixados, totalizando cerca de R$ 7,1 bilhões em papéis com vencimentos em 2031, 2033 e 2037. Além disso, o órgão anunciou o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos prefixados e atrelados à inflação que estavam previstos para os dias seguintes.
Analistas do mercado financeiro apontam que o resultado das urnas levou os investidores a precificarem uma política fiscal mais expansionista e um cenário mais desafiador para a trajetória da inflação e da taxa Selic. A percepção de maior risco fiscal elevou os juros futuros e gerou ajustes generalizados nas negociações de câmbio, bolsa e renda fixa.
Segundo Luciano França, gestor da Paramis Avantgarde, o cenário exige cautela diante de uma dívida pública com viés mais inflacionário. Por sua vez, o Tesouro Nacional informou que continuará monitorando as condições do mercado para assegurar o funcionamento adequado da dívida pública e a estabilidade dos ativos relacionados.
Fontes consultadas
- Taxas do Tesouro Direto disparam: prefixado vai a quase 16% e IPCA+ passa de 8% investnews.com.br
- O Tesouro IPCA+ 8% está de volta: Tesouro Direto abre com altos retornos e tombo de mais de 20% nos títulos públicos seudinheiro.com
- Tesouro Direto suspende negociações após alta nas taxas de juros tribunapr.com.br
- Tesouro recompra R$ 7,1 bilhões em títulos prefixados em meio à disparada das taxas - Jornal de Brasília jornaldebrasilia.com.br
- Após vitória de Lula, Tesouro cancela leilões de prefixados e IPCA+ da semana infomoney.com.br