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Economia

Banco Central interrompe ciclo de cortes e mantém Selic em 13,75% ao ano

Decisão unânime do Copom reflete ambiente de incertezas econômicas e inflação acima da meta.

Por 2 min de leitura

Banco Central interrompe ciclo de cortes e mantém Selic em 13,75% ao ano
Banco Central interrompe ciclo de cortes e mantém Selic em 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4) interromper a série de reduções na taxa básica de juros e manteve a Selic em 13,75% ao ano. A deliberação, tomada por unanimidade em reunião presidida por Gabriel Galípolo, surpreendeu parte do mercado financeiro e encerra um ciclo de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual aplicados desde o mês de março.

Em comunicado oficial, o colegiado apontou que o cenário atual é desafiador e exige serenidade e cautela na condução da política monetária. Entre os fatores que pesaram na decisão estão o aumento significativo das incertezas no cenário base, a alta nas expectativas de inflação, a desaceleração mais acentuada da atividade econômica doméstica e a desancoragem das projeções de inflação para prazos mais longos.

A autoridade monetária também destacou a deterioração do ambiente externo, marcada pelo prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, que elevaram os preços do petróleo e derivados, além de condições financeiras mais restritivas nas principais economias globais. Esse panorama internacional adverso aumenta a volatilidade nos mercados de commodities e eleva os riscos para economias emergentes.

No âmbito doméstico, o avanço da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), continuou pressionando o Banco Central. O indicador acumulado em 12 meses ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. As projeções coletadas pelo boletim Focus indicam que a inflação deverá fechar o ano acima do limite superior permitido.

A reunião do Copom ocorreu logo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em meio a turbulências nos mercados financeiros, com forte volatilidade nos juros futuros e na taxa de câmbio. Diante desse contexto de estresse e de dúvidas quanto aos rumos da política fiscal, os analistas econômicos dividiram-se nas apostas sobre os rumos da taxa básica, com muitos prevendo o fim do afrouxamento monetário.

O Banco Central reforçou que continuará monitorando atentamente a evolução dos dados econômicos e os reflexos da política fiscal sobre os ativos financeiros. O objetivo central da autarquia permanece sendo assegurar a convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante de atuação, conciliando tal meta com a suavização das flutuações da atividade econômica e o fomento ao pleno emprego.

Fontes consultadas

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