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Economia

Banco Central mantém taxa Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes

Decisão do Copom reflete cautela com a inflação e incertezas fiscais após a reeleição presidencial.

Por 3 min de leitura

Banco Central mantém taxa Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes
Banco Central mantém taxa Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A medida interrompe uma sequência de cinco reduções consecutivas que vinha sendo adotada desde março de 2026, marcando uma mudança na condução da política monetária do país.

A manutenção da taxa no patamar atual era amplamente esperada pelo mercado financeiro, especialmente após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Analistas apontam que a piora nas expectativas de inflação e a indefinição sobre as diretrizes econômicas do novo governo foram fatores determinantes para que a autoridade monetária optasse pela cautela em vez de seguir com o ciclo de flexibilização.

Em comunicado oficial, o Copom justificou a decisão citando um cenário desafiador, tanto no âmbito interno quanto no externo. O comitê destacou a aceleração da inflação e a desancoragem das expectativas em relação à meta oficial. Além disso, o Banco Central classificou a Selic atual como 'substancialmente contracionista', indicando que o nível de juros permanece elevado para restringir o consumo e conter a pressão sobre os preços.

O cenário internacional também pesou na avaliação dos diretores do Banco Central. O prolongamento de conflitos armados no Oriente Médio, a elevação dos preços do petróleo e a manutenção de políticas monetárias restritivas em economias avançadas aumentaram a volatilidade e exigiram maior prudência. Esses fatores externos, somados às incertezas fiscais domésticas, criaram um ambiente de maior risco para a convergência da inflação à meta.

Apesar da interrupção nos cortes, o Banco Central reconheceu que a atividade econômica brasileira apresenta sinais de desaceleração mais acentuada, especialmente em setores sensíveis ao crédito. Embora o mercado de trabalho ainda demonstre resiliência, a autoridade monetária ressaltou que a combinação de juros altos, riscos fiscais e inflação persistente exige serenidade na condução da política econômica.

Mesmo com a interrupção da queda, o Brasil permanece com a maior taxa de juro real do mundo, segundo levantamentos de mercado. A decisão de manter os juros em 13,75% ao ano reflete a necessidade de o governo enfrentar a escalada da dívida pública e buscar um equilíbrio fiscal que permita, no futuro, a retomada de um ciclo de juros menores sem comprometer a estabilidade dos preços.

O mercado financeiro agora aguarda a divulgação da ata da reunião, que deve trazer detalhes adicionais sobre as discussões dos membros do Copom. A próxima reunião do comitê, que definirá os rumos da política monetária para o encerramento de 2026, está agendada para os dias 8 e 9 de dezembro.

Fontes consultadas

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