Bloco de Netanyahu lidera eleições em Israel sem maioria parlamentar
Com alta participação popular e crescimento histórico de partidos árabes, pleito deixa cenário político incerto e abre margem para intensas negociações.
As eleições parlamentares realizadas nesta terça-feira em Israel terminaram com a liderança parcial da coalizão de extrema direita liderada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, mas sem que nenhum dos blocos principais alcançasse os 61 assentos necessários para formar maioria no Knesset, o Parlamento do país. Com a apuração avançada, o bloco pró-Netanyahu soma 53 cadeiras, enquanto a oposição sionista, encabeçada por Gadi Eisenkot, registra 48 assentos. A grande surpresa do pleito foi o avanço inédito dos partidos árabes, que alcançaram um recorde histórico de 19 vagas.
A votação foi a primeira desde a escalada da guerra iniciada em outubro de 2023 e registrou uma participação popular expressiva, atingindo 77,7% do eleitorado, o maior índice em mais de duas décadas. A alta adesão foi impulsionada tanto pelo debate acalorado sobre a condução dos conflitos regionais quanto pela forte mobilização dos cidadãos árabes de Israel, que representam mais de 20% da população e buscam maior representatividade diante do cenário político atual.
Apesar de o Likud, partido de Netanyahu, manter-se como a maior legenda isolada, a coalizão governista atual sofreu uma redução em relação aos 64 assentos obtidos em 2022. Em seu discurso de apuração, Netanyahu celebrou os resultados parciais, defendeu ações conjuntas com o governo dos Estados Unidos liderado por Donald Trump contra a ameaça do Irã e descartou veementemente qualquer aliança com legendas árabes. Ele afirmou que é proibido colocar Israel em risco com um governo que dependa de partidos antissionistas.
Do outro lado, Gadi Eisenkot, ex-chefe militar e líder do partido Yashar, avaliou que a população escolheu o caminho da mudança e declarou que o atual premiê perdeu a confiança pública. A oposição, contudo, enfrenta divisões internas sobre a viabilidade de construir pontes com os partidos árabes. Enquanto líderes de centro e de esquerda defendem a abertura de diálogo para superar o isolamento e afastar Netanyahu, alas da oposição impõem restrições e condições severas para eventuais acordos.
Os representantes dos partidos árabes, por sua vez, ressaltaram que ocuparão um papel decisivo no xadrez político israelense. Figuras de destaque das legendas árabes pontuaram que qualquer alternativa real e duradoura ao governo de Netanyahu precisará passar necessariamente por conversas diretas com o bloco árabe, rejeitando políticas de exclusão e defendendo uma parceria igualitária na construção do novo panorama institucional.
A definição oficial do novo governo israelense ainda pode demorar devido à necessidade de contabilizar centenas de milhares de votos depositados em urnas especiais por militares, diplomatas e pacientes, totalizando cerca de 10% do eleitorado que votou fora de suas seções de origem. Cabe ao presidente Isaac Herzog conduzir as consultas na próxima semana para definir qual líder político receberá o mandato para tentar formar uma coalizão majoritária, sob o risco de novas eleições caso o impasse persista.
Fontes consultadas
- Eleições em Israel: bloco pró-Netanyahu lidera, mas não tem maioria metropoles.com
- Netanyahu e Eisenkot alegam triunfo em eleição em Israel, mas resultado ainda é incerto; oposição defende aliança com partidos árabes oglobo.globo.com
- Bloco de Netanyahu lidera apuração em Israel, mas sem maioria para governar valor.globo.com
- Bloco de Netanyahu lidera apuração em Israel; árabes avançam terra.com.br
- Eleições em Israel: partidos árabes crescem e impasse continua | G1 g1.globo.com