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Economia

Bolsa brasileira reage após eleições e bancos digitais buscam espaço

Analistas projetam novas altas para o Ibovespa diante de expectativas de ajuste fiscal e queda nos juros.

Por 3 min de leitura

Bolsa brasileira reage após eleições e bancos digitais buscam espaço
Bolsa brasileira reage após eleições e bancos digitais buscam espaço

O Ibovespa superou pela primeira vez a marca de 200 mil pontos e registrou forte valorização na última segunda-feira, impulsionado pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Contrariando pesquisas anteriores, o senador Flávio Bolsonaro liderou a votação com 47,03% dos votos válidos, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que obteve 45,16%. O cenário gerou otimismo no mercado financeiro em relação a uma potencial mudança na política fiscal e à redução do prêmio de risco.

Apesar do recorde histórico que levou o índice a picos próximos de 209 mil pontos, a bolsa passou por um movimento de realização de lucros na terça-feira, recuando para a faixa dos 205,8 mil pontos, em um pregão descrito por especialistas como de acomodação. O dólar encerrado em queda e cotado a R$ 4,98 refletiu a entrada de capital estrangeiro e a melhora na percepção do ambiente macroeconômico interno para os próximos anos.

Grandes instituições financeiras estrangeiras revisaram suas projeções para o mercado brasileiro. O Morgan Stanley elevou a recomendação de ações locais para compra, projetando que o Ibovespa possa alcançar entre 250 mil pontos em um cenário otimista de longo prazo. Já o J.P. Morgan alterou sua nota para overweight, apontando um potencial de alta de até 23% para o mercado acionário brasileiro no cenário base e reforçando que a concretização das metas dependerá de reformas estruturais e disciplina fiscal.

No setor bancário, enquanto os grandes bancos tradicionais registraram desempenhos mistos e as instituições físicas lideraram os ganhos iniciais do rali — com destaque para o Bradesco e o Santander —, os bancos digitais ficaram temporariamente para trás. Analistas do J.P. Morgan apontam que instituições como Nubank e Inter ainda negociam a múltiplos atrativos, oferecendo margem para reprecificação caso mantenham o crescimento de lucros e a expansão do retorno sobre o patrimônio líquido.

O Nubank, avaliado como uma oportunidade de longo prazo, mantém projeções de crescimento de lucros expressivas e alta rentabilidade no mercado brasileiro. Paralelamente, o Inter busca destravar valorização por meio da melhoria de sua eficiência operacional e elevação do ROE. Contudo, especialistas alertam que ambas as fintechs compartilham riscos associados a eventuais deteriorações no ciclo de crédito e a possíveis medidas macroprudenciais em 2027.

Especialistas recomendam cautela e seletividade aos investidores diante da volatilidade pós-eleitoral e da proximidade do segundo turno marcado para o dia 25 de outubro. Enquanto traders aproveitam momentos de alta para realizar lucros, planejadores financeiros sugerem que investidores de longo prazo mantenham o foco na adequação de suas carteiras aos próprios objetivos e perfis de risco, priorizando companhias com sólida geração de caixa e baixa alavancagem.

Fontes consultadas

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