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Câmara do Paraguai aprova impeachment de Peña mesmo após renúncia

Processo político prossegue para o Senado após crise financeira ligada ao colapso do Ueno Bank.

Por 3 min de leitura

Câmara do Paraguai aprova impeachment de Peña mesmo após renúncia
Câmara do Paraguai aprova impeachment de Peña mesmo após renúncia

A Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou nesta quinta-feira (5) o pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña por unanimidade, com 78 votos favoráveis, ignorando o anúncio de renúncia apresentado pelo mandatário horas antes. A decisão ocorre em meio a uma grave crise econômica e institucional desencadeada pela intervenção do Banco Central paraguaio no banco digital Ueno.

Durante a sessão extraordinária, Peña divulgou um pronunciamento em vídeo nas redes sociais informando sua saída do cargo. O ex-presidente justificou a medida como uma tentativa de preservar as instituições e garantir a estabilidade do país. "Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas", afirmou em trecho divulgado, pedindo desculpas à população por eventuais falhas.

A crise que culminou na queda de Peña ganhou força após o Banco Central decretar a intervenção no Ueno Bank no início da semana, após constatar que o índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo legal exigido. O fechamento abrupto bloqueou o acesso de cerca de três milhões de clientes aos recursos depositados, gerando protestos em Assunção e o congelamento de fundos públicos importantes, incluindo bilhões aplicados pelo Instituto de Previdência Social.

O pedido de impeachment contra o ex-presidente apontava acusações de conflito de interesses, manipulação regulatória e desvio de recursos públicos. Peña foi acionista até 2025 do Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira afetada. O desgaste político se aprofundou quando a bancada do Partido Colorado, legenda governista que controlava o bloco majoritário, retirou o apoio político e votou maciçamente pela abertura do processo.

Com a continuidade do processo na Câmara, o caso foi encaminhado para o Senado, que atuará como tribunal de julgamento. Para que a destituição formal seja concluída e a condenação seja estabelecida, a Constituição paraguaia exige o voto favorável de pelo menos dois terços dos senadores.

Paralelamente, a Câmara dos Deputados analisou e rejeitou o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, registrando 48 votos contrários e 30 favoráveis. Os parlamentares que votaram pela rejeição argumentaram que Alliana não possuía responsabilidade direta nas decisões administrativas do banco e que a medida era necessária para assegurar a previsibilidade democrática.

Com o avanço dos trâmites constitucionais e a recusa do afastamento do vice, Pedro Alliana está na linha de sucessão para assumir o comando da Presidência da República, aguardando a validação formal da renúncia de Santiago Peña pelo Congresso nacional.

Fontes consultadas

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