Campanha de Flávio alega que Janones apagou 499 conteúdos de canal
Relatório aponta exclusão de mensagens no grupo Exército do Lula, enquanto o TSE revisa ordens de suspensão e cobranças de registro.
A campanha do candidato Flávio Bolsonaro apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral um levantamento apontando que o deputado federal André Janones excluiu 499 conteúdos do canal de WhatsApp Exército do Lula. A ferramenta, criada para apoiar a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que conta com mais de quatro milhões de seguidores, tornou-se o centro de uma disputa jurídica no segundo turno das eleições presidenciais.
De acordo com a acusação da coligação de Flávio, a exclusão em massa de postagens explicaria por que a área técnica do TSE não localizou inicialmente as supostas notícias falsas que fundamentaram os pedidos de suspensão. O relatório detalha que o parlamentar enviava orientações para que os seguidores compartilhassem publicações e, em seguida, apagava os registros originais para evitar o monitoramento.
A poluição informacional e o vaivém de decisões marcaram os últimos dias na Corte Eleitoral. O canal chegou a ser suspenso e reaberto em diferentes ocasiões por ordens divergentes entre o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Enquanto a defesa de Flávio argumenta que a estrutura digital servia para propagar desinformação sobre aposentadorias e pautas sociais, Janones rebate e acusa o adversário de agir de má-fé para impor censura.
Em meio às contestações, o ministro André Mendonça também determinou a remoção de um vídeo específico publicado por Janones nas redes sociais que abordava propostas de aposentadoria, fixando prazos e penalidades pecuniárias em caso de descumprimento. A decisão reforçou o escrutínio sobre as estratégias digitais adotadas pelos aliados da campanha governista.
Para contornar as sanções e restrições impostas pelo tribunal, a coligação de Lula realizou o registro oficial do canal de WhatsApp na Justiça Eleitoral. Com a regularização da ferramenta, Nunes Marques indicou a perda do objeto das ordens de derrubada anteriores, permitindo que a plataforma volte a operar integralmente após o cumprimento do prazo regulamentar de liberação estipulado pelas normas vigentes.
Enquanto a disputa jurídica prossegue no plenário do TSE, parlamentares e equipes jurídicas debatem os limites da atuação das plataformas de mensagens instantâneas e a responsabilidade dos administradores sobre conteúdos apagados. A controvérsia evidencia os desafios enfrentados pela Justiça Eleitoral na fiscalização de campanhas digitais de massa durante períodos de alta polarização política.
Fontes consultadas
- Veja cronologia da guerra de decisões sobre o canal 'Exército do Lula' - Jornal de Brasília jornaldebrasilia.com.br
- Mendonça dá 3 horas para Janones apagar vídeo contra Flávio Bolsonaro metropoles.com
- Flávio age de má-fé e induz Kassio Nunes Marques ao erro, diz André Janones oliberal.com
- Flávio pede derrubada rede de fake news pró-Lula, de Janones gazetadopovo.com.br
- Janones apagou 499 conteúdos do grupo "Exército do Lula" poder360.com.br