Pular para o conteúdo
Brasil

Empresário é condenado a mais de 17 anos por morte em acidente com Porsche

Fernando Sastre de Andrade Filho admitiu pela primeira vez durante o julgamento que havia consumido bebida alcoólica antes da colisão que vitimou motorista em São Paulo.

Por 3 min de leitura

Empresário é condenado a mais de 17 anos por morte em acidente com Porsche
Empresário é condenado a mais de 17 anos por morte em acidente com Porsche

O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão em regime inicialmente fechado pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, ocorrida em março de 2024 na Zona Leste de São Paulo. A sentença foi proferida na madrugada de sexta-feira, após dois dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste da capital paulista.

Durante o interrogatório realizado na quinta-feira, Sastre admitiu pela primeira vez que havia consumido bebidas alcoólicas antes de assumir a direção do veículo de luxo. Em depoimentos anteriores prestados ao longo da investigação e do processo, o réu havia negado a ingestão de álcool, afirmando em entrevistas que tinha tomado apenas água na noite do ocorrido.

Emocionado durante a sessão que durou cerca de uma hora e dez minutos, o empresário pediu perdão às vítimas e aos familiares pelo sofrimento causado. Questionado sobre o motivo de ter ocultado a verdade inicialmente, ele declarou que não há justificativa para o ato e que se arrepende profundamente de não ter contado os fatos desde o início.

Os jurados reconheceram que o réu cometeu homicídio com dolo eventual, situação jurídica em que se entende que o autor assumiu o risco de provocar a morte. Além disso, Sastre foi responsabilizado por lesão corporal gravíssima em decorrência dos ferimentos sofridos por Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo que estava no banco do passageiro do Porsche no momento do impacto.

A acusação foi surpreendida pela mudança de versão apresentada pelo réu no tribunal, visto que a negativa sobre o consumo de álcool havia sido mantida durante toda a fase de inquérito e instrução processual. A defesa, por sua vez, tentou argumentar que o motorista não assumiu o risco de matar e pediu a desclassificação do crime para homicídio culposo, tese que acabou rejeitada pelo júri.

O acidente aconteceu na madrugada do dia 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. De acordo com os laudos da perícia técnica do Instituto de Criminalística, o automóvel conduzido por Sastre trafegava a uma velocidade entre 136 km/h e 156 km/h em um trecho onde o limite máximo permitido era de 50 km/h, atingindo em cheio a traseira do Renault Sandero dirigido pela vítima de 52 anos.

Além da pena privativa de liberdade em regime fechado, a Justiça determinou a inabilitação definitiva do empresário para conduzir veículos automotores. O processo também relembrou episódios logo após a colisão, quando Sastre foi liberado do local por policiais militares sob a justificativa de que seria levado a um hospital por sua mãe, mas acabou se apresentando à polícia somente mais de 30 horas depois.

Fontes consultadas

Leia também