Ibama aplica R$ 2 milhões em multas por queimadas ilegais na Amazônia
Fumaça densa provocada por incêndios florestais compromete a qualidade do ar em Manaus, levando à suspensão de aulas e ao atendimento médico de centenas de pessoas.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou R$ 2 milhões em multas devido a incêndios florestais ilegais na região amazônica. A ação coordenada visa conter o avanço das chamas que têm sufocado a capital amazonense e cidades vizinhas nas últimas semanas.
Nos municípios de Autazes e Careiro da Várzea, situados na região metropolitana de Manaus, agentes ambientais lavraram 19 autos de infração e embargaram 250 hectares distribuídos em 12 áreas distintas. As penalidades foram aplicadas a proprietários que causaram danos à vegetação nativa, destruíram áreas de floresta ou negligenciaram medidas obrigatórias de prevenção e combate ao fogo.
A situação em Manaus atingiu níveis críticos, com a cidade registrando dias consecutivos de intensa poluição atmosférica. A fumaça tóxica reduziu drasticamente a visibilidade na região, chegando a paralisar operações aéreas de combate às chamas e elevando os índices de poluição para patamares considerados perigosos por especialistas.
Diante da gravidade do cenário, a qualidade do ar na capital amazonense motivou alertas de autoridades de saúde. O epidemiologista Jesem Orellana, vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), recomendou que a população evite sair de residências e mantenha portas e janelas fechadas para proteger grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
O impacto da poluição também paralisou serviços essenciais e atividades cotidianas. Escolas suspenderam as aulas presenciais e eventos ao ar livre foram cancelados, enquanto centenas de moradores buscaram atendimento médico devido a complicações provocadas pela inalação da fumaça densa.
Como desdobramento das fiscalizações, 11 pessoas foram presas no sábado no município de Autazes sob suspeita de envolvimento em crimes ambientais relacionados aos incêndios. As detenções foram anunciadas pelo governo estadual durante um balanço das forças de segurança que atuam no Centro Integrado de Comando e Controle.
O Ministério Público do Amazonas instaurou um inquérito civil para investigar a origem dos focos de calor e responsabilizar os autores dos crimes. Enquanto isso, gestores municipais e estaduais cobram união de esforços federais e internacionais para conter a destruição ambiental que afeta a biodiversidade e a saúde pública na região.