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Economia

Incertezas sobre IA após eleições nos EUA derrubam bolsas globais

O temor de regras mais rígidas para o setor tecnológico americano gerou forte aversão ao risco, impactando os mercados internacionais e o Ibovespa.

Por 3 min de leitura

Incertezas sobre IA após eleições nos EUA derrubam bolsas globais
Incertezas sobre IA após eleições nos EUA derrubam bolsas globais

As bolsas de valores globais registraram fortes perdas, puxadas pela derrocada de Wall Street, após os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos acenderem alertas sobre o futuro da inteligência artificial. O movimento de aversão ao risco contaminou o mercado brasileiro, fazendo com que o Ibovespa encerrasse o pregão em queda de 0,8%, cotado aos 166.191 pontos.

O principal catalisador do pessimismo externo foi o avanço dos democratas no Congresso americano e em estados estratégicos. Investidores passaram a precificar regras mais rígidas, exigências de energia limpa e o corte de incentivos fiscais para a construção e manutenção de centros de dados voltados à inteligência artificial. A perspectiva de custos elevados e de desaceleração nos investimentos das grandes empresas de tecnologia provocou uma onda massiva de vendas.

Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq despencou mais de 5%, entrando em território de correção, enquanto o S&P 500 e o Dow Jones também fecharam em baixa acentuada. Gigantes de chips e semicondutores lideraram as perdas, arrastando o setor de tecnologia para o centro de uma crise de liquidez e cautela generalizada que se estendeu rapidamente para os mercados emergentes.

Segundo especialistas do setor financeiro, a intensidade da retração nos Estados Unidos transformou o que seria uma correção comum em um alerta de pânico generalizado. "Quando a bolsa americana tem uma queda de tamanha relevância, passa de um nível de queda simples para um nível de alerta de pânico, criando aversão ao risco e contaminando os mercados como um todo, inclusive o Brasil", aponta o gestor de investimentos Marcelo Cabral.

No cenário doméstico, além do ambiente externo desfavorável, a cautela dos investidores também foi alimentada por incertezas fiscais. Reuniões em Brasília envolvendo o governo e a equipe econômica mantiveram o mercado em estado de alerta devido à resistência na discussão de cortes de despesas obrigatórias. A desconfiança quanto ao ajuste das contas públicas pressionou o dólar comercial, que fechou em alta de cerca de 0,7%, negociado próximo de R$ 5,49.

Apesar da turbulência no câmbio e na bolsa, os juros futuros recuaram no mercado brasileiro após o Banco Central decidir manter a taxa Selic em 13,75% ao ano por unanimidade. O tom do comunicado do Comitê de Política Monetária foi interpretado pelo mercado como uma pausa prudente, indicando que a economia já apresenta sinais claros de desaceleração frente ao patamar contracionista dos juros.

Na ponta corporativa brasileira, o pregão foi marcado por reações distintas à temporada de balanços trimestrais e à volatilidade das commodities. Enquanto empresas varejistas e de consumo registraram ganhos expressivos impulsionadas por margens positivas, companhias de construção e exportadoras sofreram fortes baixas, refletindo o pessimismo com o custo de capital e o cenário macroeconômico global.

Fontes consultadas

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