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Brasil

Ministério Público avalia representação contra loja de SP por vitrine

Estabelecimento exibiu manequins negros em posições de serviço para bonecos brancos, gerando críticas de entidades e abertura de análise no MPSP.

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Ministério Público avalia representação contra loja de SP por vitrine
Ministério Público avalia representação contra loja de SP por vitrine

Uma vitrine da loja de vestidos de festa Arthur Caliman, localizada na Avenida Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, tornou-se alvo de uma representação protocolada no Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta terça-feira. A denúncia aponta a ocorrência de práticas racistas na exposição do estabelecimento, que apresentava manequins negros vestidos com aventais e simulando atender manequins brancos que usavam roupas de gala.

Na montagem criticada, não havia registros de manequins negros utilizando vestidos de festa, tampouco bonecos brancos desempenhando funções de atendimento. O caso foi encaminhado para análise da Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos, na área de Inclusão Social.

Especialistas em diversidade e representantes de organizações de combate ao racismo apontaram que a disposição dos elementos reforça hierarquias raciais históricas. Para Hédio Silva Jr., fundador da organização Jusracial, a cena reproduz a associação da população negra a papéis de subalternidade e servidão.

Na mesma linha, Manuela Thamani, diretora executiva do Observatório da Branquitude, afirmou que a exposição materializa desigualdades estruturais originadas no período colonial. Segundo ela, a escolha dos manequins delimita visualmente quais grupos sociais pertencem ao universo do luxo e quais ficam restritos ao trabalho de apoio.

A especialista em diversidade e inclusão Gabriela Augusto destacou que toda vitrine comunica valores e revela o público-alvo imaginado por uma marca. Para ela, a repetição desses cenários naturaliza desigualdades sociais presentes no país após mais de um século da abolição da escravidão.

Em nota oficial, a direção da loja Arthur Caliman declarou que repudia qualquer forma de racismo e discriminação. A empresa explicou que a disposição dos manequins ocorreu de maneira aleatória e teve como único objetivo criar contraste visual entre as cores dos bonecos e das roupas expostas.

A marca informou ainda que a vitrine anterior era composta integralmente por manequins pretos vestindo trajes claros e negou qualquer intenção de transmitir mensagens de cunho racial. Após a repercussão negativa e o contato da imprensa, o estabelecimento substituiu o manequim questionado e lamentou o desconforto gerado.

O Ministério Público de São Paulo recebeu a representação, mas até o momento não há conclusões oficiais sobre a investigação ou definição de eventuais responsabilidades jurídicas da empresa pelo episódio.

Fontes consultadas

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