Pular para o conteúdo
Política

Sindicato de magistrados lamenta recusa de curso extraordinário

Entidade aponta carências de pessoal no Ministério Público e rejeita argumento de queda na qualidade da formação.

Por 2 min de leitura

Sindicato de magistrados lamenta recusa de curso extraordinário
Sindicato de magistrados lamenta recusa de curso extraordinário

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) manifestou insatisfação com a decisão da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, de afastar a abertura de um curso extraordinário de formação para magistrados. A recusa foi anunciada durante audição parlamentar sobre o Orçamento do Estado, em resposta a um questionamento da deputada Paula Santos, do PCP.

Segundo a governante, a medida foi descartada por questões de igualdade. Aceitar a proposta exigiria um curso encurtado, o que, na visão da pasta, colocaria em risco a qualidade da formação exigida. A ministra argumentou ainda que os cursos recentes do Centro de Estudos Judiciários priorizaram o Ministério Público, quase duplicando as vagas para futuros procuradores.

Em comunicado, o SMMP rebateu os argumentos e afirmou que a postura oficial não atende às necessidades atuais da instituição tampouco às jubilações previstas para os próximos anos. A organização sindical defende o curso especial como um mecanismo urgente para combater o déficit de profissionais e as crescentes dificuldades operacionais nos serviços.

De acordo com o sindicato, os números demonstram que cerca de metade dos magistrados do Ministério Público tem mais de 50 anos e mais de 20% está próxima da idade de jubilação. A entidade alerta que centenas de procuradores experientes deixarão os cargos em breve, enquanto o modelo de formação ordinário leva cerca de três anos e mal consegue repor as saídas anuais.

O SMMP também refutou a ideia de que o formato extraordinário comprometeria o nível técnico dos profissionais. Para o sindicato, a solução se dirigiria a candidatos que já foram aprovados em concursos anteriores e que acabaram de fora apenas por falta de vagas, representando o meio mais ágil para integrar novos quadros e desafogar o sistema.

Por fim, a entidade sindical frisou que o debate sobre o recrutamento precisa de uma perspectiva de longo prazo para garantir a renovação e a capacidade de resposta diante da crescente complexidade dos processos. Conforme o comunicado, a defesa da legalidade é o limite entre uma justiça que opera adequadamente e uma estrutura colapsada pela escassez de pessoal.

Fontes consultadas

Leia também