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Presidente do Paraguai pede prazo de 72 horas para defesa em impeachment

Santiago Peña solicitou mais tempo ao Congresso para preparar sua defesa após o avanço do processo de destituição e a entrega de sua carta de renúncia.

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Presidente do Paraguai pede prazo de 72 horas para defesa em impeachment
Presidente do Paraguai pede prazo de 72 horas para defesa em impeachment

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu ao Congresso do país um prazo adicional de 72 horas para apresentar sua defesa no processo de impeachment aberto contra ele. A solicitação ocorre em meio a uma grave crise política e financeira desencadeada pela liquidação do Ueno Bank, instituição digital que detinha cerca de 3 milhões de clientes e gerenciava milhões em depósitos públicos.

O Senado paraguaio havia convocado Peña para comparecer e apresentar seus argumentos nesta sexta-feira. No entanto, em carta enviada ao presidente do Congresso, Basilio Núñez, o chefe do Executivo argumentou que o aviso recebido na noite anterior, acompanhado de centenas de páginas de acusação, ofereceu um intervalo inferior a 12 horas, período considerado insuficiente para assegurar as garantias do devido processo legal e a escolha de um representante jurídico.

A crise institucional escalou após o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de liquidação do Ueno Bank na última terça-feira, apontando queda no índice de solvência da instituição. O banco concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. O fechamento abrupto bloqueou o acesso de milhões de correntistas aos próprios fundos e paralisou transações eletrônicas essenciais no comércio do país.

Diante da repercussão do colapso financeiro, Peña apresentou uma carta de renúncia na quinta-feira, afirmando em um pronunciamento público que tomou a decisão para preservar a estabilidade da nação e a paz social, além de pedir desculpas à população afetada. O presidente também foi alvo de denúncias e investigações conduzidas pelo Ministério Público por supostos crimes econômicos e conflito de interesses, já que atuou como acionista do grupo controlador do banco até o ano de 2025.

Apesar da renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a continuidade do processo de impeachment, em uma sessão em que parlamentares governistas tentaram barrar a tramitação para evitar sanções severas. A oposição defendeu a rejeição da renúncia para impedir que o ex-mandatário garantisse imunidade perpétua por meio do cargo vitalício de senador, benefício constitucional concedido a ex-presidentes que completam seus mandatos, mas passível de revogação em caso de condenação em julgamentos políticos.

Caso o Congresso decida pela condenação de Peña no julgamento, que exige pelo menos 30 votos favoráveis no Senado, ele perderá o mandato, o foro privilegiado e a condição de senador vitalício. Se o afastamento for confirmado, o vice-presidente Pedro Alliana assumirá o comando do Executivo paraguaio para concluir o mandato presidencial que se encerra em agosto de 2028.

Fontes consultadas

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