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Economia

Proposta de André Lara Resende sobre juros movimenta debate econômico e político

Ideia de limitar a taxa Selic gera reações divergentes entre setores do governo e apreensão no mercado financeiro.

Por 3 min de leitura

Proposta de André Lara Resende sobre juros movimenta debate econômico e político
Proposta de André Lara Resende sobre juros movimenta debate econômico e político

As discussões sobre a condução da política macroeconômica brasileira ganharam novos contornos com a repercussão de um documento elaborado pelo economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. A proposta, que aponta o elevado custo dos juros como o principal motor do crescimento da dívida pública em detrimento dos gastos primários, provocou reações divididas entre aliados do governo e gerou apreensão no mercado financeiro.

Em artigos recentes, Lara Resende argumenta que o desequilíbrio fiscal do país decorre fundamentalmente dos encargos financeiros do endividamento, e não do volume de despesas correntes do governo. Para solucionar o problema, o economista defende uma redução gradual da taxa básica de juros, a Selic, que passaria a flutuar obrigatoriamente em um intervalo entre 3% e aproximadamente 5,5% ao ano. O plano também prevê a criação do Conselho Federal Monetário e Fiscal para coordenar de forma integrada as políticas monetária e orçamentária.

A tese encontrou receptividade em setores do Partido dos Trabalhadores. A deputada federal Gleisi Hoffmann classificou como fundamental um artigo recente do economista para enfrentar o que chamou de ofensiva sobre a política fiscal brasileira. Na mesma linha, José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo e ex-presidente da Petrobras, manifestou apoio às ideias em um manifesto recente, elogiando a pluralidade de visões sobre os rumos econômicos do país.

Por outro lado, o tema gerou preocupação entre investidores e agentes do mercado financeiro, que cobram compromissos firmes com o controle das contas públicas. Diante da repercussão e de boatos sobre uma possível audiência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Lara Resende, o governo buscou centralizar a comunicação oficial na área econômica.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou categoricamente a existência de qualquer encontro agendado entre o presidente e o economista, afirmando que a administração federal não está discutindo a proposta no momento. No mesmo sentido, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, criticou as especulações em torno do assunto.

Em nota enviada à imprensa, Edinho Silva afirmou que boatos na área econômica não colaboram com o país. "As especulações na área econômica não colaboram com o País, e só faz o jogo dos especuladores, dos oportunistas do mercado, aqueles que apostam contra o governo Lula, contra o futuro do País. O único que fala em nome do governo Lula na política econômica é o ministro Dário Durigan", declarou o dirigente partidário.

Enquanto defensores da proposta argumentam que a limitação dos juros aliviaria o endividamento sem a necessidade de cortes drásticos em investimentos sociais, críticos do setor financeiro sustentam que o controle rígido da taxa Selic é indispensável para conter pressões inflacionárias e garantir a credibilidade da economia nacional.

Fontes consultadas

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