Articulação de impeachment no STF perde força após fortalecimento de Alcolumbre
Recondução do atual presidente do Senado ganha fôlego com apoio partidário e altera o cenário político em Brasília.
As articulações voltadas ao avanço de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) enfrentam novos obstáculos e perdem fôlego no Congresso Nacional. A mudança de cenário ocorre após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e o consequente ressurgimento político do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a recondução ao cargo para a próxima legislatura.
Apesar de o PL ter ampliado expressivamente sua bancada na Casa e conquistado tamanho político relevante, Alcolumbre recuperou espaço nas negociações partidárias. Logo após o encerramento do processo eleitoral, a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, formalizou apoio à reeleição do parlamentar para a presidência do Senado e do Congresso Nacional, em nota assinada pelos dirigentes Antonio Rueda e Ciro Nogueira.
O apoio consolidado representou um revés para as pretensões da oposição e de nomes cotados para disputar o comando da Casa, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e o líder da oposição Rogério Marinho (RN), que articulavam a formação de uma chapa única alinhada ao bloco bolsonarista. Nos bastidores de Brasília, uma ala do STF avalia que a eventual recondução de Alcolumbre representa um período de maior estabilidade institucional na relação entre os poderes.
Pela legislação brasileira, cabe exclusivamente ao presidente do Senado decidir sobre o andamento e a tramitação de eventuais pedidos de impeachment contra integrantes da Suprema Corte. Como Alcolumbre tem demonstrado histórico de resistência a esse tipo de iniciativa, a ocupação estratégica do cargo tende a dificultar a abertura de processos contra magistrados, com destaque para Alexandre de Moraes, principal alvo da oposição.
Enquanto o panorama do Legislativo se reorganiza para a eleição da mesa diretora marcada para o dia 1º de fevereiro, o Executivo também projeta mudanças na composição do próprio STF. O presidente Lula, reeleito para um novo mandato com término previsto para janeiro de 2031, poderá indicar até quatro ministros para a Corte ao longo dos próximos anos.
O espaço para novas indicações considera a vaga em aberto deixada pela aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, além da saída de três ministros que atingirão a idade da aposentadoria compulsória de 75 anos até o final do mandato presidencial. Deixam a Corte Luiz Fux, em abril de 2028; Cármen Lúcia, em abril de 2029; e Gilmar Mendes, em dezembro de 2030.
A primeira tentativa de preencher a vaga aberta por Barroso ocorreu com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, cujo nome acabou rejeitado pelo plenário do Senado em abril de 2026. A decisão marcou a primeira rejeição de um indicado ao STF em mais de um século, evidenciando o peso da articulação política no Senado para a aprovação de futuros nomes na mais alta instância do Judiciário.