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Eleições em Israel terminam sem maioria e abrem caminho para negociações

Nenhum dos blocos principais atingiu as 61 cadeiras necessárias para formar um governo, exigindo articulações políticas complexas no país.

Por 2 min de leitura

Eleições em Israel terminam sem maioria e abrem caminho para negociações
Eleições em Israel terminam sem maioria e abrem caminho para negociações

A apuração das eleições em Israel foi concluída sem que o bloco liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou a oposição conquistasse a maioria no parlamento, exigindo semanas de intensas negociações políticas para tentar formar um novo governo. Com mais de 99% dos votos apurados, o bloco de Netanyahu obteve 53 assentos no Knesset, que possui 120 cadeiras, enquanto a oposição liderada por Gadi Eisenkot alcançou 48 assentos. Os partidos árabes somaram um total de 19 cadeiras.

Ambos os lados ficaram distantes das 61 cadeiras necessárias para garantir a maioria parlamentar. As eleições recentes foram amplamente interpretadas como um referbundo sobre o mandato de Netanyahu, ocorrendo na sequência de conflitos regionais e do impacto duradouro dos ataques iniciados em outubro de 2023. O pleito registrou alta participação de eleitores, com 77% de comparecimento.

Para tentar viabilizar uma nova coalizão, Gadi Eisenkot iniciou reuniões com outros líderes políticos, incluindo o ex-primeiro-ministro Naftali Bennett e o presidente do partido Democrats, Yair Golan. No entanto, analistas apontam que a oposição enfrenta um cenário desafiador, pois precisará contar de alguma forma com o apoio de partidos liderados por cidadãos palestinos de Israel para conseguir governar, algo que gera forte resistência em parte do espectro político.

Em paralelo, o partido Likud, de Netanyahu, passou a amplificar alegações sobre supostas fraudes e interferências externas na votação por parte de partidos árabes. O juiz Noam Sohlberg, chefe da Comissão Central de Eleições, confirmou que suspeitas graves foram encaminhadas para investigação pela agência de segurança Shin Bet, embora não tenha conseguido verificar as acusações de imediato.

Políticos da oposição criticaram duramente as declarações do atual primeiro-ministro. Eisenkot acusou Netanyahu de tentar deslegitimar os resultados eleitorais e de usar instituições estatais para fins pessoais. Analistas políticos também indicam que, mesmo sem uma coalizão governista tradicional imediata, a oposição pode tentar unir forças para substituir o atual presidente do Knesset, aliado próximo de Netanyahu, o que reduziria o poder legislativo do atual premiê.

Enquanto os resultados finais aguardam a certificação oficial por parte da Comissão Central de Eleições, o cenário político israelense permanece volátil. Caso as tentativas de formar uma coalizão fracassem, o país poderá enfrentar novas eleições no início do próximo ano, prolongando o impasse político em um momento de profunda divisão social.

Fontes consultadas

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