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Operação Azzardo mira esquema de bets ilegais e lavagem de dinheiro no Brasil

Ação policial cumpre mandados em seis estados para desarticular rede que utilizava empresas de fachada para movimentar milhões.

Por 3 min de leitura

Operação Azzardo mira esquema de bets ilegais e lavagem de dinheiro no Brasil
Operação Azzardo mira esquema de bets ilegais e lavagem de dinheiro no Brasil

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5), a Operação Azzardo, uma ofensiva interestadual voltada ao combate de plataformas de apostas on-line ilegais e esquemas de lavagem de dinheiro. A ação, que mobiliza cerca de 200 agentes, cumpre mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte, visando desmantelar uma estrutura criminosa que movimentou cifras milionárias por meio de empresas de fachada.

As investigações, iniciadas há cinco meses, foram motivadas por alertas da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. O órgão identificou que diversas casas de apostas, conhecidas como bets, operavam sem a devida autorização federal. O esquema utilizava empresas com atividades comerciais legítimas, mas sem qualquer relação com o setor de apostas, para receber e redistribuir os valores depositados pelos usuários, inclusive mediante a conversão em criptoativos.

No Distrito Federal, os policiais encontraram evidências de irregularidades em Sobradinho e Ceilândia. Em endereços registrados como uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, não foram localizadas atividades condizentes com as descrições. Em um único lote residencial em Ceilândia, a polícia identificou dez empresas distintas registradas sob o mesmo número de telefone, evidenciando a natureza fictícia das estruturas criadas para ocultar a origem dos recursos.

Um dos principais focos da operação é uma fintech sediada em São Paulo, autorizada pelo Banco Central a atuar como Sociedade de Crédito Direto. De acordo com as apurações, a instituição era utilizada para processar cobranças via Pix das plataformas ilegais. Informações financeiras indicam que movimentações ligadas a essa empresa e a grupos associados somam cerca de R$ 1 bilhão. O Banco Central já havia manifestado, em julho de 2026, a intenção de revogar a autorização de funcionamento da fintech.

A Justiça determinou medidas cautelares severas, incluindo o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 pessoas jurídicas, totalizando um limite global de R$ 3,483 bilhões. Além disso, foi autorizada a suspensão dos registros de 100 empresas, a quebra de sigilo bancário e fiscal de 165 alvos e a proibição de que os investigados abram novas contas bancárias pelo período de 90 dias.

A PCDF também identificou o envolvimento de empresas que possuíam licenças de loterias estaduais na Paraíba e no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, tais licenças perderam a validade com a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, e as empresas em questão apresentavam histórico de trocas constantes de sócios e vínculos com fraudes contra vítimas de estelionato.

Os envolvidos no esquema são investigados pelos crimes de exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Caso sejam condenados, as penas somadas podem variar entre 11 e 33 anos de reclusão. A polícia ressaltou que as restrições judiciais atingem os recursos próprios dos investigados, preservando os valores de clientes que não possuem relação com as atividades ilícitas.

Fontes consultadas

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